sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Viva a Consciência Negra, Viva Fela Kuti

África Mãe da Consciência Negra

Hoje, 20 de Novembro, quando todas as vozes se levantam para celebrar o dia da consciência negra, presto minha homenagem por meio de um ícone da luta pelos direitos dos povos africanos, o músico Fela Kuti.


O texto abaixo, escrito por Alexandre Matias, extraído do site Radiola Urbana, diz um pouco sobre a contribuição de Fela Kuti para a música

"Fela Anikulapo Kuti é o equivalente africano de Che Guevara e Bob Marley ao mesmo tempo, gênio da raça, líder pacifista e voz do povo. Papa do afrobeat, trouxe os milenares ritmos africanos para a era elétrica, fundindo-os com a força bruta do jazz, funk e rhythm'n'blues. Com seu front musical, entrava em transes percussivos acompanhados de cavalgadas de baixos elétricos, guitarras em profusão, um coro feminino em primeiro plano e uma enxurrada de instrumentos de sopro, com o sax de Kuti em primeiríssimo plano. Com mais de uma centena de discos com sua participação (álbuns costumeiramente divididos em quatro blocos de quinze minutos, que tornavam-se horas ao vivo), Fela criou uma obra tão vasta quanto densa, de valor inestimável e de fácil aceitação. Mas como a África, Fela Kuti é deixado de lado da história mundial, como um gigante incompreensível, uma floresta fechada onde nenhum homem jamais esteve.

Puro preconceito."
http://www.radiolaurbana.com.br/

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

não entres docilmente nesta noite mansa

poesia falada a fala da poesia

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

de amores insanos

como se pode amar assim,

estraçalhando dores em paredes envidraçadas?

como é possível amar assim,

atrapalhando vestígios de possível lucidez?

(para ler repetidas vezes ao som do cello de zoe keating)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

No jardim com Manoel de Barros


Caracóis não aplicam saliva em vidros;
mas, nos brejos, se embutem até o latejo.
Nas brisas vem sempre um silêncio de garças.
Mais alto que o escuro é o rumor dos peixes.
Uma árvore bem gorjeada, com poucos segundos, passa a
fazer parte dos pássaros que a gorjeiam.
Quando a rã de cor palha está para ter – ela espicha os
olhinhos para Deus.
De cada 20 calangos, enlanguescidos por estrelas, 15 perdem
o rumo das grotas.
Todas estas informações têm uma soberba desimportância
científica – como andar de costas.


5august in the garden
Upload feito originalmente por maedchen jalapak

Poema de Manoel de Barros,
http://cristianccss.wordpress.com/2008/02/22/melhores-poesias-de-manoel-de-barros/

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

SE VA LA NEGRA

Agradeço a Albertino Lordelo que, em 1978, presenteou-me com uma fita K7 de Mercedes Sosa.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Ruínas de fé


"Arqueja triste nos braços frios da noite.
Ainda quando os anjos e demônios
a espiam por frestas ocultíssimas,
ouço o farfalhar demente das tuas asas.
Ergue-se o vôo sem razão."

Rocque Moraes


Artista visual e poeta bissexto, Rocque ama rock.
Eu amo rock e Rocque, embora ele não mereça.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O mundo e os gatos

Nem sei desde quando, se é uma coisa de gen, os humanos dominarem e se comprazerem da dor alheia.
Já observaram que muitas pessoas não gostam de gatos? E já prestaram atenção nas pessoas que gostam de gatos?
William Burroughs escreveu um livro sobre os felinos em sua vida - The Cat Inside. O livro é de 1986 e a primeira edição teve uma tiragem de 133 cópias.
Existe uma tradução para o português.
William morreu num mês de agosto aos 83 anos.




Velhos e gatos parecem ter algo em comum, uma certa letargia... ambos parecem ronronar quando acarinhados. Como esse poema de um velhinho de nome Rogério. Bem, ele ainda não é tão velho, mas parece. Tem uma alma anciã, como a poesia. Anciã dos tempos, como defin
ia Uilcon Pereira - um outro amigo que não teve paciência de envelhecer.

Fazia frio à tarde;
um olhinho do sol piscava entre as nuvens de chumbo;
vó acalentava Didi seu gato vira-lata sujo,
e seus dedos entre a penugem
pareciam uma barbatana
era tarde de outono com cara
de tarde vazia;
não tinha som de carro, nem buzina;
mas tinha latido e tinha voz de vizinho;
vó preferia acalentar bicho do que sonho.
Soprava um risquinho de vento, mas não voava
chapéu;
descabelava a mangueira só de prirraça;
vó diz que vento é feito menino arteiro;
corre o dia todo fazendo troça,
mas à noite
dorme.

Poema QUINTAL, de Rogério Lima (Publicado na revista Reflexos de Universos, em março de 2008)

Foto de William Burrougs por John Minihan. In:
www.johnminihan.com/other_images.html