quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

... então é natal!


inflexão perante allen ginsberg e henry thoreau


o sagrado coração reumático de elenor

um olhar estranho - olhar

não cego de poeta com

olhos de anjo

anjos maometanos

anjos loiros

anjos de rilke - terríveis

a bíblia sagrada com seus uivos

de anjos terríveis

não causa assombro ao

caminhante desobediente

trilhando as margens do rio

à margem dos anjos

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

para romper com uma vidinha mais ou menos

parada na ponta do passeio de uma rua qualquer, numa cidadezinha qualquer, de qualquer lugar do interior. o olhar flutuando pelos transeuntes num arremedo de vida carregando sacolas, bolsas, crianças... carros, carroças, bicicletas... montes de terra, demolição... calor escaldante, poeira.
passos arrastados conduzem para não se sabe onde, uma casa distante, um lugar onde descansar o corpo mortiço, desidratado, empoeirado, quase faminto.
um pouco de dinheiro dobrado enfiado no bolso mais recôndido próximo ao corpo, dinheiro úmido do suor do dia calorento. dinheiro pouco para as muitas contas a pagar.
amanhã começar tudo de novo? correr...? cumprir horário...? bater ponto...? engolir um pastel com refresco, café...? e pensar no amanhã, no depois de amanhã...
o corpo flácido, o silêncio das conversas bobas, os vizinhos...
a corda pendente...
o silêncio...

...
m e i a - n o i t e
a voz rouca de lou reed ecoa no pátio


Just a perfect day
you made me forget myself
I thought I was
someone else, someone good

http://www.loureed.com/00/index.html

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Viva a Consciência Negra, Viva Fela Kuti

África Mãe da Consciência Negra

Hoje, 20 de Novembro, quando todas as vozes se levantam para celebrar o dia da consciência negra, presto minha homenagem por meio de um ícone da luta pelos direitos dos povos africanos, o músico Fela Kuti.


O texto abaixo, escrito por Alexandre Matias, extraído do site Radiola Urbana, diz um pouco sobre a contribuição de Fela Kuti para a música

"Fela Anikulapo Kuti é o equivalente africano de Che Guevara e Bob Marley ao mesmo tempo, gênio da raça, líder pacifista e voz do povo. Papa do afrobeat, trouxe os milenares ritmos africanos para a era elétrica, fundindo-os com a força bruta do jazz, funk e rhythm'n'blues. Com seu front musical, entrava em transes percussivos acompanhados de cavalgadas de baixos elétricos, guitarras em profusão, um coro feminino em primeiro plano e uma enxurrada de instrumentos de sopro, com o sax de Kuti em primeiríssimo plano. Com mais de uma centena de discos com sua participação (álbuns costumeiramente divididos em quatro blocos de quinze minutos, que tornavam-se horas ao vivo), Fela criou uma obra tão vasta quanto densa, de valor inestimável e de fácil aceitação. Mas como a África, Fela Kuti é deixado de lado da história mundial, como um gigante incompreensível, uma floresta fechada onde nenhum homem jamais esteve.

Puro preconceito."
http://www.radiolaurbana.com.br/

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

de amores insanos

como se pode amar assim,
estraçalhando dores em paredes envidraçadas?
como é possível amar assim,
atrapalhando vestígios de possível lucidez?
(para ler repetidas vezes ao som do cello de zoe keating)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

No jardim com Manoel de Barros




Caracóis não aplicam saliva em vidros;
mas, nos brejos, se embutem até o latejo.
Nas brisas vem sempre um silêncio de garças.
Mais alto que o escuro é o rumor dos peixes.
Uma árvore bem gorjeada, com poucos segundos, passa a
fazer parte dos pássaros que a gorjeiam.
Quando a rã de cor palha está para ter – ela espicha os
olhinhos para Deus.
De cada 20 calangos, enlanguescidos por estrelas, 15 perdem
o rumo das grotas.
Todas estas informações têm uma soberba desimportância
científica – como andar de costas.


5august in the garden
Upload feito originalmente por maedchen jalapak

Poema de Manoel de Barros,
http://cristianccss.wordpress.com/2008/02/22/melhores-poesias-de-manoel-de-barros/

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

SE VA LA NEGRA

Agradeço a Albertino Lordelo que, em 1978, presenteou-me com uma fita K7 de Mercedes Sosa.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Ruínas de fé


"Arqueja triste nos braços frios da noite.
Ainda quando os anjos e demônios
a espiam por frestas ocultíssimas,
ouço o farfalhar demente das tuas asas.
Ergue-se o vôo sem razão."

Rocque Moraes


Artista visual e poeta bissexto, Rocque ama rock.
Eu amo rock e Rocque, embora ele não mereça.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O mundo e os gatos

Nem sei desde quando, se é uma coisa de gen, os humanos dominarem e se comprazerem da dor alheia.
Já observaram que muitas pessoas não gostam de gatos? E já prestaram atenção nas pessoas que gostam de gatos?
William Burroughs escreveu um livro sobre os felinos em sua vida - The Cat Inside. O livro é de 1986 e a primeira edição teve uma tiragem de 133 cópias.
Existe uma tradução para o português.
William morreu num mês de agosto aos 83 anos.




Velhos e gatos parecem ter algo em comum, uma certa letargia... ambos parecem ronronar quando acarinhados. Como esse poema de um velhinho de nome Rogério. Bem, ele ainda não é tão velho, mas parece. Tem uma alma anciã, como a poesia. Anciã dos tempos, como defin
ia Uilcon Pereira - um outro amigo que não teve paciência de envelhecer.

Fazia frio à tarde;

um olhinho do sol piscava entre as nuvens de chumbo;
vó acalentava Didi seu gato vira-lata sujo,

e seus dedos entre a penugem
pareciam uma barbatana

era tarde de outono com cara
de tarde vazia;
não tinha som de carro, nem buzina;
mas tinha latido e tinha voz de vizinho;

vó preferia acalentar bicho do que sonho.

Soprava um risquinho de vento, mas não voava
chapéu;
descabelava a mangueira só de prirraça;

vó diz que vento é feito menino arteiro;
corre o dia todo fazendo troça,
mas à noite
dorme.


Poema QUINTAL, de Rogério Lima (Publicado na revista Reflexos de Universos, em março de 2008)

Foto de William Burrougs por John Minihan. In:
www.johnminihan.com/other_images.html

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

manhã chuvosa de agosto

segunda de manhã, agosto, chove fino...
as calçadas molhadas deixam os pés enrugados
uma profusão de sombrinhas desacelera o caminhar, dispenso a minha vermelha de bolinhas e deixo que chova nos meus cabelos outonais.

um ar de melancolia permeia tudo, como o vídeo de dois em um: e se chover?
E se chover?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

beco de jack


beco_jack
Upload feito originalmente por rainha morbida
fim de tarde início de noite, os ratos saem dos seus buracos e passeiam solenemente pelas calçadas úmidas.
o beco transpira cheiro de tempos de outrora, as paredes espiam de soslaio um crime prestes a acontecer, a porta lacrada finge não ouvir o grito abafado.
os passos dos caminhantes lançam um eco incógnito. aproximan-se?
afastam-se? talvez ela não saiba e adentra a garganta sinistra do beco.
... e nunca mais saiu

para ouvir ao som de nick cave

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Quem disse que o rock é alienado? People have the power!

Especiais: Dia Mundial do Rock: Hoje, dia 13 de julho, é o Dia Mundial do Rock. Você sabe desde quando se comemora esta data? Desde 1985. Foi no Live Aid - festival pelo fim da fome na Etiópia - que o dia 13 de julho ficou conhecido como o dia mundial do rock [...] (Fonte: Rock Online)



Esse espírito inconformista revigora e faz com que o rockn'roll seja visto como atitute juvenil.
Então é assim?
"Ná ná ná, o diabo! Eu quero é rock!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Minha alma cheira a curry


A pauta não era essa. A poesia dormida (ou amanhecida feito um pão murcho do dia anterior) tomou o lugar do frescor do café recém coado, do fato acontecido agora.
Duas semanas intensas em emoções e visões a serem compartilhadas ficaram aprisionadas nas imagens, poucas imagens...mas o cheiro deixou sua marca na memória tão fortemente que, em resposta à perguntada sobre como teria sido, se seria uma versão de Zé à milanesa,
respondi: Graça ao curry.

Falar em curry estando em Londres, logo se pensa em East End, Bengladesh londrina. Além do cheiro de curry esse lado da cidade também cheira a arte. Que tal a Whitechapel Art Gallery? Vejam imagens da exhibition de Isa Genzken: Open, Sesame! que tive oportunidade de visitar. http://www.whitechapelgallery.org/exhibitions/isa-genzken-open-sesame-


Fundada em 1901, a Whitechapel Art Gallery é aclamada internacionalmente por suas exposições de artes moderna e contemporânea e por seu pioneirismo em programas de educação e eventos abertos ao público. Fizeram premieres nessa galeria artistas internacionais como Pablo Picasso, Frida Kahlo, Jackson Pollock, Mark Rothko e Nan Goldin. Lá também expuseram artistas os mais significativos da Grã-Bretanha, de Gilbert& George a Lucian Freud, Peter Doig a Mark Wallinger.

Ao lado dessa incrível galeria, existe um beco onde está localizado um centro de estudos anarquistas. Estava fechado quando passei. Por isso apenas fotografei o painel que fica no início do beco, no qual estão retratados grandes pensadores do anarquismo: Emma Goldman, Proudhon, Malatesta, Tolstoi e tantos outros.

Acho que vou voltar às origens... Viva Bakunin!

domingo, 19 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

inquietações de uma tarde sufocante ao som de pj harvey

as labaredas do sol parecem banhar nossas cabeças...
... esses tempos sufocantes me lembram cenas de cinema, é como andar de sapatos pelas areias escaldantes de uma praia, algo como uma cena de Morte em Veneza. A agonia do desejo potencializada pelo desconforto do calor e a areia entrando pelo poro mais remoto e a vontade de ter o impossível invadindo a última célula do ser inquietado.
Inquietação e desejo, duas sensações que se fundem em uma quando embrulhadas no papel da intangibilidade.
... assim eu me sinto nesse infinito calor desta cidade: desconfortável e inquieta como quem deseja o impossível.

quarta-feira, 18 de março de 2009

18 de março, 138 anos da Comuna de Paris


18 de março, 138 anos da Comuna de Paris - governo popular organizado pelas massas parisienses que teve a curta vida de 72 dias, quando foi sufocada ferozmente pelas tropas militares comandadas por Adolphe Thiers.
O saldo dessa truculência? 20 mil mortos em uma única semana – a Semana Sangrenta.
Era o fim da comuna mas sua memória vivifica nos corações da classe trabalhadora como referência para uma outra sociedade possível.

Em maio de 1871, Marx escreveu: "Os trabalhadores de Paris, com sua comuna serão sempre considerados como gloriosos precursores de uma nova sociedade. A memória de seus mártires será cuidadosamente conservada no grande coração da classe trabalhadora. Ahistória já prendeu seus exterminadores nesse eterno pelourinho, de onde não conseguirão arrancá-los todas as orações de seus sacerdotes".

Como governo da classe operária, a Comuna de Paris, exercia seu poder em benefício do povo. Mostrou grande cuidado pelo melhoramento da situação material das grandes massas: fixou a remuneração mínima do trabalho, foram tomadas medidas de proteção do trabalho e de luta contra o desemprego, de melhoramento das condições de moradia e do abastecimento da população. A Comuna preparou a reforma escolar, fundamentada no princípio da educação geral, gratuita, obrigatória, laica e universal. Tiveram extraordinária importância os decretos da Comuna sobre a organização de cooperativas de produção nas empresas abandonadas por seus donos, a implantação do controle operário, a elegibilidade dos dirigentes de algumas empresas estatais. Na sua política exterior, a Comuna se guiou pelo empenho de estabelecer a paz e a amizade entre os povos.

Na educação, a proposta dos communards visava modificar uma realidade que lhes era limitada, quando não excludente, a exemplo da educação feminina.
Para isso, a Comuna tomou um conjunto decisões e medidas que procuraram redefinir os objetivos educacionais e da escola.

Abertura de todas as instituições de ensino gratuitamente ao povo - e sem a interferência da Igreja e do Estado; organização do ensino primário e profissional; busca pela integração entre educação e trabalho; administração gratuita pelos profissionais dos instrumentos de trabalho escolar; instrução para as mulheres.

Alguns sonhos da Comuna foram materializados, outros ainda temos que lutar por eles.

Leia mais:

http://www.marxists.org/portugues/dicionario/verbetes/c/comuna_paris.htm
http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=569
http://www.alunosonline.com.br/historia/comuna-de-paris/

sexta-feira, 6 de março de 2009

gatos, silêncios e uma carta-cobra

Emílio, o gato-planta filho de Fifi.
Depois de muito tempo (o que é muito tempo?) retorno ao nosso convívio. Carnaval, gripes ... e O gato por dentro, de William Burroughs. Eu não sabia da relação de Bill com os felinos. Vou voltar a falar sobre este livro depois, quando terminar de ler. Agora destaco apenas uma passagem em que ele fala do ritual de iniciação dos oficiais da SS nazista que tinham de arrancar os olhos de um gato depois de alimentá-lo e acariciá-lo por um mês. A eliminação de qualquer indício de piedade. Perante ato tão brutal ele diz: “Qualquer barganha que envolva a troca de valores qualitativos como amor por bichos pela vantagem quantitativa não é apenas desonrosa. O homem não pode estar mais errado. Isto também é tolo. Por que você nada ganha. Vendeu o seu você."
O meu você, após um silêncio de semanas, e mais alguns gatos na barriga de Fifi,
revirou a gaveta e, ao reabrir a pasta rosa, de cara, foi abocanhado pela carta-cobra.
Desdobrou-a com cuidado e logo se deparou com uma seta apontando: começa aqui (cabeça)
... e serpenteando sua infinitude de papel, começa: “Alberta Hunter diria que esta linha infinita/ e ou (in)finita é a mesma que une ou liga-nos neste momento, no dicionário Agapêniano, esta carta seria uma ‘chinfrinagem’ ou seja chifres e sacanagem, assim o interpretei, vocábulo criado ainda hoje na Funga.”
Cortei a cobra em pedaços e fui montando uma colagem de lembranças. “Ontem entrou em cartaz uma peça com texto e direção de Hild Sena, estreando adolescentes (Itamar, Tarcísio e Fabrício) PEDAÇOS é o nome/título da peça.”
Que gracinha, Itamar tem clínica em Feira. Tarcísio é Tarcizio do Disco, dj buenas, blogueiro on the rocks. Fabrício não sei em que pedaço da cobra-vida está. ... e segue a cobra... “A Funga aguarda uma nova programação... Manuka recitando poesias e um tocador de flauta transversal por nome Netinho. (...) Luciano Pássaro continua fazendo poemas eróticos”. E vem uma poesia, não de Luciano, mas de Safo de Lesbos:
A lua já se pôs, as plêiades também: meia-noite;

foge o tempo,
e estou deitada sozinha.” – Safo de Lesbos.
“O amor agita meu espírito,
como se fosse um vendaval

a desabar sobre os carvalhos” – Safo
e de outros gregos poetas

“Bebamos.
Esperar as lâmpadas, por quê?

É breve o dia.

Traze-nos, amor, as grandes taças multicores...” – Alceu.

“... De nada adianta a queixa

por toda parte a vida será igual à flauta das serpentes

no país dos fantasmas
...” Gkátsos

os gregos, ah os gregos...
Eles gostavam de gatos?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

feridas incicatrizáveis



Hoje, 13 de fevereiro de 2009, são 32 anos da morte de Carolina Maria de Jesus.

Prá quem não lembra, Carolina se tornou conhecida após a publicação do livro Quarto de Despejo, sucesso editorial traduzido para cerca de 29 línguas. Além disso, Carolina foi uma das poucas brasileiras a receber menção na Antologia de Escritoras Negras e no Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis.

Detalhe. Carolina Maria de Jesus era catadora de papel e vivia numa favela na cidade de São Paulo.

Mineira de nascimento, da pequena cidade de Sacramento, Carolina passou a infância e a adolescência em cidades do interior de Minas Gerais e de São Paulo.

Após a morte a mãe, em Franca - SP, Carolina parte para a capital do estado, onde entre empregos informais e trabalhos domésticos, a futura escritora, sonhava com o mundo das letras. Mais tarde, morando na favela e vivendo da coleta de papéis, Carolina escrevia constantemente, em folhas encontradas no lixo.

“Não tenho força física, mas as minhas palavras ferem mais do que espada. E as feridas são incicatrizáveis” Carolina Maria de Jesus

Maria Madalena Magnabosco e Graciela Ravetti (UFMG) se referem à obra Quarto de Despejo como o resgate e a denúncia de uma face da vida cultural brasileira quando do início da modernização da cidade de São Paulo e da criação de suas favelas. “Face cruel e perversa, pouco conhecida e muito dissimulada, resultado do temor que as elites vivenciam em tempos de perda de hegemonia. Sem necessidade de precisarem as áreas de onde vem os perigos, a elite que resguarda hegemonias não suaviza atos e conseqüências quando ameaçadas por "gente de fora" (leia-se, "gente de baixo").”

Essa é a literatura das vozes subalternas que tem nas mulheres suas principais protagonistas.

Carolina não se dobrou. A resistência pela literatura foi o seu brado.

“Catei papel, revirei lixo. Do papel também tirei meu alimento: a escrita.”

A realidade vivida por Carolina ainda persiste e as suas palavras vivas ainda abrem feridas incicatrizáveis.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

um brinde musical

Hoje o camarada DJ Buenas está mandando ver nas pick-ups, na festa de divulgação do seu blog On the Rocks. Também vão dar o tom o DJ Cassicas e o DJ Moloko Velocet.
Tudo acontece no Bar Balcão - Orla do Rio Vermelho, a partir das 21h, na cidade do Salvador.
Se eu estivesse lá, iria conferir.
Sei que vai rolar só coisa boa, então, aqui vai um brinde on the rocks!

http://www.myspace.com/freekittennyc





quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Doces lembranças

Não pude resistir à queda nos 90, não pude resistir às doces lembranças... oooh sweet memories.
Cerys, minha musa, quem, além dela se apresentaria com uma bolsa a tiracolo? Imbatível!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Trickynagens e pollockices


O mês de janeiro assinalou sua despedida com o aniversário de dois gigantes da inventividade e da transgressão, um na música outro na pintura.
O dia 27 registrou a vinda ao mundo de Tricky – transgressão da forma e do conteúdo da música/poesia; trip hop, intensidade emocional, evocações de um modo de ser e de expressão inusuais. Adoro isso.
Dia 28 foi a vez de Jack Pollock - transgressão da forma e do conteúdo da pintura; expressionismo abstrato, indefinível choque nas retinas e no gosto usuais. Também adoro isso. [Number 8, 1949 (detalhe); Óleo, esmalte e alumínio sobre canvas; Neuberger Museum, State University of New York
http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/pollock/
Ambos jogam na cara do mundo a inquietação e a intensidade com que vivem a arte. Intensidade emocional pra ver e ouvir.
Ao som de Makes me wanna die
http://www.youtube.com/watch?v=jiwmdhNuyqo

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

I was dreaming in my dreaming




restos... pandarecos... cacos... pedaços... vampirização de textos sem a audácia do mestre da biutice+, ora vampirizado semvergonhamente
espalhando pitadas, atirando cascas de laranja na chuva das urânias
“uma voz que atravessava séculos, tão pesada que quebrava o que tocava, tão funda que suspeitei que soasse em mim com ressonância eterna; uma voz enferrujada com o som de pragas e dos gritos ásperos que brotam do delta do último paroxismo do orgasmo.” *
assoviando tulipas roxas na cara patética do número um
risco de asco
arremesso medos num jogo de opostos, o avesso,
o inverso da razão
o pedaço cuspido da maçã que alguém mordeu
o lado escuro do espelho

hoje não fitei teus olhos vesgos
SERÁ QUE ALGUÉM SABE QUEM EU SOU?
Nem o mundo, nem mesmo o sol podem mostrar simultaneamente ambas as faces.
EU SOU A TUA OUTRA FACE
Com teus olhos de pedra
meio da madrugada o perigo: buraco negro das palavras
corria o risco de fazer poesia
visitam-me as criaturas da noite
e nenhum gole de vinho para saciar o pânico
a noite fora calma e nem chegamos a lou reed
a gata negra invade o sono deslizando felínica nos lençóis
há tempos não vejo seu riso palhaço
um tanto pior que os delírios noturnos
as vozes que ouço são cachorros uivando pra lua escandalosamente cheia que eu não vejo
sou cachorro efêmero vagando nas dobras da noite
implorando um fiapo de carinho
NINGUÉM ME VÊ
não sou um anjo caído nem retalho de asa perdida
não sou penugem que voa
onde está meu melhor amigo que não pousa na janela e sorri mesmo que um riso cínico?
a voz do menino grita meu nome a pleno sol e ainda é noite
não sei vencer: copio sonhos alheios com a mediocridade barroca de quem destrói de dia o que construiu ao anoitecer



________________
+ estação Uilcon
* retalhos de Anais Nin

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Acho que vou fazer um filme


[para ouvir ao som de Múm]

Escrevo sob o signo da melancolia, uma saudade inexplicável de não sei o quê (desculpem o acento, força do hábito), uma sensação estranha de vazio, de... que foi que eu fiz? O que fazer? Cadê tudo? Chega!
Esta será uma postagem longa, apenas os pacientes e os que amam verdadeiramente a poesia lerão até o fim e, possivelmente, comentarão.

Abri a pasta rosa, peguei um dos seus escritos e li. Era uma carta falando do meu texto intitulado As Cartas. Já postei um fragmento aqui. Essa carta recupera pedaços da peça que escrevi, a qual trata do encontro de duas mulheres quase estranhas e muito diferentes. Já tentamos montar essa peça várias vezes mas nunca deu certo. Acho que vou fazer um filme.

“... li a peça e várias vezes reli. A solidão de Zoé não seria a profunda consciência da solidão de nós mesmas, que escrevemos e que tornamos a poesia nossa amante, pois sentimos sem compreender a efemeridade de tudo o que nos cerca?”
(...)
“Conheço-a através dos seus escritos e amo-a através dos seus versos”.
E recorta um trecho de As Cartas. [devo colocar quantas aspas?]
““... Querida amiga, para ti o meu pensamento é um pensamento de ausências...” Eu diria que em mim a sua presença entranha-se através desses versos com tamanha inteireza que ausento-me de mim para em você permanecer por vezes. (...) Em muitos lugares eu amei e contudo, não fui vista. Talvez isso nos aproxime.”

Adiante, cita Lautréamont: Escrever é agir com a lógica impecável de um movimento de ataque – qual um bicho que vai cercando, acuando a presa ao mesmo tempo que a mantém imóvel. E se esta sucumbe não é só porque se sente atraída pela precisão dos gestos do atacante mas porque nêles capta as forças que lhe dão forma e que surpreendem.

“Para dizer-lhe da emoção que em mim aflora os seus versos, retorno a Lautréamont e junto com ele prossigo a carta.
Guardo dúvidas a respeito de nós. Pois como conciliar a frieza de vossos silogismos com a paixão quase cruel que deles se desprende?” No entanto, ao correr sobre o papel a mão vai dizendo sim. Quando a carta terminar o encontro já estará marcado. Dispenso-me de assinar, e nisso sou poeta. Vivemos em uma época demasiado excêntrica para que, por um instante, haja espanto com o que poderá acontecer. Tenho curiosidade de saber como conheceste o local onde habita nossa imobilidade glacial, rodeada por uma longa fileira de salões desertos, imundos ossários de minhas horas de tédio. Como dizê-lo? (...) Armemo-nos de paciência, na espera do instante que me lançará no entrelaçamento de vossos braços, inclino-me diante de vossos versos, que abraço.””
Abraços [é noite]


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A verdadeira rainha mórbida

Diamanda Galás, filha de pais gregos ortodoxos, criada em San Diego, Califórnia onde, ainda criança estudou jazz e música clássica. Artista performática e controversa esteve no Brasil em 1998.
Ativista de grupos de combate à Aids, tatuou na mão esquerda os dizeres "We Are All HIV+" (Somos Todos HIV+) desde que seu irmão morreu, vítima da doença, em 1986.

Durante uma manifestação do ACT UP (grupo gay de militância) na St. Patrick's Cathedral, em Nova York, em 1989, Galás foi presa por "distúrbio da ordem pública" e em 1990, após uma apresentação no "Festival delle Colline", na Toscana, o governo italiano a denunciou por "blasfêmia contra a Igreja Católica Romana". "Satã mora mesmo nos EUA", ironizou a cantora, "agora mais do que nunca".

Para botar mais lenha na fogueira, em 92, a revista norte-americana "Vanity Fair" publicou uma foto sua, feita por Annie Leibowitz, da cantora nua, pendurada a uma cruz em meio a chamas.

Essa mesma fúria e inconformismo que Galás expressa em sua vida de militante foram transpostos para a música. Desde seus primeiros trabalhos, "Wild women with steak knives" (Mulheres loucas com facas de cortar carne) e "Tragouthia apo to aima exon fonos" (Canção do sangue dos assassinados), de 1979, Galás fala de morte, perda e solidão, temas desenvolvidos nos trabalhos que vieram a seguir: "O isolamento pode matar", ela diz.

A discografia da cantora conta com 12 discos (todos lançados em CD pela Mute Records). Em "The divine punishment", de 1989, ela utiliza textos bíblicos musicados para mandar um recado irônico àqueles que viam a Aids como uma "punição divina".

Seu disco mais recente, "Malediction and Prayer", traz uma insólita regravação de "My World Is Empty Without You", sucesso das Supremes, além de poemas de Pasolini e Baudelaire musicados por Galás.

A fúria é a única resposta adequada aos deuses injustos que governam a vida dos mortais, afirma Galás.

http://musica.uol.com.br/especiais/1998/12/01/ult1541u47.jhtm