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Mostrando postagens de 2012

um dia qualquer

a minha sentença é ser proscrita entre castas e direitas criaturas nenhum corte atravessa a minha face nenhuma lama em seus sapatos nenhum sangue em minhas retinas descrever ciúmes cenas de possessão jogos cabalísticos os símbolos têm sua hora marcada e nosso encontro está assinalado está gravado em nossa cara com a brasa do ferro ardente afinal a maldição abocanhou-nos desatolando-nos a decadência desentranhando o veneno das nossas veias o eco da nossa inquietude alcançará um dia o senso comum? abraço-me a joquim louco e escondo-me em seu quarto de vidro protegendo-me do temporal de mediocridades o frio dos olhares congela-me os ossos mas sobre eles verterei todo o meu ódio

antes de chegar a primavera

a casa parada no tempo 
com suas cadeiras de ferro
e seus cachos de rosas brancas perfumadas 

de dentro, 
o olhar congelado do velho 
observa a passagem do tempo 

cruz das almas, 28 de agosto de 2012 (tarde)

Ao longo do canal

Para Bartira e Noee

A bordo de uma nau improvável, projeto de um sonhador, zarpamos da marina de Camdem. São 3 da tarde. O intrépido marujo ata e desata cordas e faz soar o apito. Estamos de partida. Nas margens, os olhares se voltam para nós. Sentada no velho sofá que outrora ornamentou a sala de alguém, aceno para os transeuntes quase me sentindo uma rainha. O verde outrora brilhante do sofá se acomoda na plana balsa de tosca madeira. Os mais curiosos lançam-me a pergunta: “Você quem fez?” Compenetrada, aponto o nosso comandante. Entre goles de vinho, fragmentos da metrópole desfilam ante nossos olhos incrédulos. Um bêbado tenta embarcar e nos mostra a língua ao ser impedido; namorados se beijam quase ocultos pela vegetação da margem; corredores ofegantes em constante luta para manter a boa forma; noivos em brinde e juras de amor eterno (nas fotos do álbum aparecerá a nossa nau); ciclistas e seus cachorros compenetrados; desconhecidos que acenam. O vôo inesperado do cisne branco em noss…

Muda

Muda, a photo by rainha morbida on Flickr. Tao estranha e silenciosa como foi sua vida foi sua partida dela.
A noticia me pegou de surpresa, ela sempre fora saudavel (embora miasse pouco) e estava em forma para o seus 15 anos.
Muda se foi sem deixar descendentes e com sua partida termina a "dinastia" de Simpatico Estranho.
Saudade, muda!

livros, livros a mancheia

A poesia silenciosa dos fantásticos livros voadores.

extremos

há tempos não abria a pasta rosa, razão de ser deste blog.
hoje encontrei um dos seus guardados: uma carta escrita sobre um poema cujo título nomeia a presente postagem.

"releio três cartas: uma azul, uma cinza e uma fogosamente vermelha. Fico agora pensando nas coisas tantas que você falou. No rio que nunca é o mesmo, nos poemas febris inspiração dos madrugadores, pirados como nós, no comentário aceso do Corpo de Luciano (Dos pássaros), no DESEMBARQUE (desejo), no soluço, no sonho, no disco. Ouço Legião, duas vezes por dia, todo dia. Um
Fico trista pela demora em escrever. Perdi o pique, não estou bem. Coisas íntimas. As férias foram péssimas. Não consegui sequer sonhar. 
Até a próxima interrogação.
Um soluço"

A distância alimentava a saudade e a vontade de escrever.
Hoje as pessoas estão a um click e as cartas saíram de cena.

Despedida

O sol se punha por entre as folhas da Mata de Cazuzinha
enquanto as cigarras entoavam um canto de despedida
para o velho companheiro que partiu para Timbuktu.


Adeus, Doug!

espera

espera, a photo by rainha morbida on Flickr. Todo banco vive a espera de não ser só.
Todo banco vive a espera de não ser só banco.
Todo banco vive à espera.