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Vida Líquida

Slide 1 É crua a vida. Alça de tripa e metal. Nela despenco: pedra mórula ferida. É crua e dura a vida. Como um naco de víbora. Como-a no livor da língua Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me No estreito-pouco Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida Tua unha plúmbea, meu casaco rosso. E perambulamos de coturno pela rua Rubras, góticas, altas de corpo e copos. A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos. E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima Olho d'água, bebida. A Vida é líquida. (Alcoólicas - I) Hilda Hilst 

cores

Upload feito originalmente por Rick Van Pelt com quantas cores se faz um ano novo?

... então é natal!

inflexão perante allen ginsberg e henry thoreau o sagrado coração reumático de elenor um olhar estranho - olhar não cego de poeta com olhos de anjo anjos maometanos anjos loiros anjos de rilke - terríveis a bíblia sagrada com seus uivos de anjos terríveis não causa assombro ao caminhante desobediente trilhando as margens do rio à margem dos anjos

para romper com uma vidinha mais ou menos

parada na ponta do passeio de uma rua qualquer, numa cidadezinha qualquer, de qualquer lugar do interior. o olhar flutuando pelos transeuntes num arremedo de vida carregando sacolas, bolsas, crianças... carros, carroças, bicicletas... montes de terra, demolição... calor escaldante, poeira. passos arrastados conduzem para não se sabe onde, uma casa distante, um lugar onde descansar o corpo mortiço, desidratado, empoeirado, quase faminto. um pouco de dinheiro dobrado enfiado no bolso mais recôndido próximo ao corpo, dinheiro úmido do suor do dia calorento. dinheiro pouco para as muitas contas a pagar. amanhã começar tudo de novo? correr...? cumprir horário...? bater ponto...? engolir um pastel com refresco, café...? e pensar no amanhã, no depois de amanhã... o corpo flácido, o silêncio das conversas bobas, os vizinhos... a corda pendente... o silêncio... ... m e i a - n o i t e a voz rouca de lou reed ecoa no pátio Just a perfect day you made me forget myself ...

Viva a Consciência Negra, Viva Fela Kuti

África Mãe da Consciência Negra Hoje, 20 de Novembro, quando todas as vozes se levantam para celebrar o dia da consciência negra, presto minha homenagem por meio de um ícone da luta pelos direitos dos povos africanos, o músico Fela Kuti. O texto abaixo, escrito por Alexandre Matias, extraído do site Radiola Urbana, diz um pouco sobre a contribuição de Fela Kuti para a música "Fela Anikulapo Kuti é o equivalente africano de Che Guevara e Bob Marley ao mesmo tempo, gênio da raça, líder pacifista e voz do povo. Papa do afrobeat, trouxe os milenares ritmos africanos para a era elétrica, fundindo-os com a força bruta do jazz, funk e rhythm'n'blues. Com seu front musical, entrava em transes percussivos acompanhados de cavalgadas de baixos elétricos, guitarras em profusão, um coro feminino em primeiro plano e uma enxurrada de instrumentos de sopro, com o sax de Kuti em primeiríssimo plano. Com mais de uma centena de discos com sua participação (álbuns costumeiramente divididos em...

de amores insanos

como se pode amar assim, estraçalhando dores em paredes envidraçadas? como é possível amar assim, atrapalhando vestígios de possível lucidez? (para ler repetidas vezes ao som do cello de zoe keating)