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Lua

Moon 3 Upload feito originalmente por paul great yarmouth Lua negra diabólica na minha janela mostra tua cara insólita (trecho da letra de uma canção de Nelson Magalhães Filho)

sextas-feiras santas e violeiras

Nas sextas-feiras santas ela cortava paletas a partir de chifres de boi, e sempre antes do nascer do sol. Numa simulada entrevista com Helena Meirelles, Uilcon Pereira a transporta para o mundo de Àssombradado. Biutificada, a violeira conta que seu prazer era tocar nas zonas, nos bordéis do poeirão de estrada. Nivelei meu destino com cavalgadas e homens de gatilho fácil, tocando por alguns tragos de cachaça. Aos trinta anos, resolvi, sozinha, bagunçar o coreto, mascar fumo, viver no cio e pintar o sarambé. No delta do Àssombradado Velho, todo mundo dançava armado. Numa pândega, um peão enlouquecido veio perto e queria enforcar a vileira-chefe. Até hoje, quando ouço o bater dos guizos, da tropa, do berrante, dos vaqueiros estalando a relha, penso “Ai meu Deus, se eu fosse um homem tava lá no meio.” Minha mãe fala “Helena Biutrice de Tróia Meirelles, és meio homem meio muié”. Eu respondo “Eu não sei nunca o que sou, sei que sou fanática por isso de tocar violão e viver junto com a peo...

pintei de lilás

Com a poesia de mulheres que fizeram o diferencial no seu tempo, eu pinto de lilás este dia 8 de Março. "Abro os olhos, não vi nada Fecho os olhos, já vi tudo. ... Abro os olhos novamenteE vejo a grande montanha, Fecho os olhos e comento: Aquela pedra dormindo, parada dentro do tempo, Recebendo sol e chuva, desmanchando-se ao vento? Eu estou lá, Ela sou eu." Adalgisa Nery "olho muito tempo o corpo de um poema até perder de vista o que não seja corpo e sentir separado dentre os dentes um filete de sangue nas gengivas" Ana C. Essas, além de tantas Anas, Cristinas, Clarices, Cecílias, Hildas, Jacintas... e todo o alfabeto poético falem ao mundo que a poesia vive. Vida longa para a poesia, vida longa para as poetas. 

Vida Líquida

Slide 1 É crua a vida. Alça de tripa e metal. Nela despenco: pedra mórula ferida. É crua e dura a vida. Como um naco de víbora. Como-a no livor da língua Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me No estreito-pouco Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida Tua unha plúmbea, meu casaco rosso. E perambulamos de coturno pela rua Rubras, góticas, altas de corpo e copos. A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos. E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima Olho d'água, bebida. A Vida é líquida. (Alcoólicas - I) Hilda Hilst 

cores

Upload feito originalmente por Rick Van Pelt com quantas cores se faz um ano novo?

... então é natal!

inflexão perante allen ginsberg e henry thoreau o sagrado coração reumático de elenor um olhar estranho - olhar não cego de poeta com olhos de anjo anjos maometanos anjos loiros anjos de rilke - terríveis a bíblia sagrada com seus uivos de anjos terríveis não causa assombro ao caminhante desobediente trilhando as margens do rio à margem dos anjos