Pular para o conteúdo principal

feridas incicatrizáveis



Hoje, 13 de fevereiro de 2009, são 32 anos da morte de Carolina Maria de Jesus.

Prá quem não lembra, Carolina se tornou conhecida após a publicação do livro Quarto de Despejo, sucesso editorial traduzido para cerca de 29 línguas. Além disso, Carolina foi uma das poucas brasileiras a receber menção na Antologia de Escritoras Negras e no Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis.

Detalhe. Carolina Maria de Jesus era catadora de papel e vivia numa favela na cidade de São Paulo.

Mineira de nascimento, da pequena cidade de Sacramento, Carolina passou a infância e a adolescência em cidades do interior de Minas Gerais e de São Paulo.

Após a morte a mãe, em Franca - SP, Carolina parte para a capital do estado, onde entre empregos informais e trabalhos domésticos, a futura escritora, sonhava com o mundo das letras. Mais tarde, morando na favela e vivendo da coleta de papéis, Carolina escrevia constantemente, em folhas encontradas no lixo.

“Não tenho força física, mas as minhas palavras ferem mais do que espada. E as feridas são incicatrizáveis” Carolina Maria de Jesus

Maria Madalena Magnabosco e Graciela Ravetti (UFMG) se referem à obra Quarto de Despejo como o resgate e a denúncia de uma face da vida cultural brasileira quando do início da modernização da cidade de São Paulo e da criação de suas favelas. “Face cruel e perversa, pouco conhecida e muito dissimulada, resultado do temor que as elites vivenciam em tempos de perda de hegemonia. Sem necessidade de precisarem as áreas de onde vem os perigos, a elite que resguarda hegemonias não suaviza atos e conseqüências quando ameaçadas por "gente de fora" (leia-se, "gente de baixo").”

Essa é a literatura das vozes subalternas que tem nas mulheres suas principais protagonistas.

Carolina não se dobrou. A resistência pela literatura foi o seu brado.

“Catei papel, revirei lixo. Do papel também tirei meu alimento: a escrita.”

A realidade vivida por Carolina ainda persiste e as suas palavras vivas ainda abrem feridas incicatrizáveis.

Comentários

Rounds disse…
não conheço os escritos da carolina, fiquei curioso.

obrigado pela divulgação da on the rocks party.

bj
Anônimo disse…
Graca querida:li o livro de Carolina ha muitos anos e a admiro muito.Bjs Doris
Janaina Amado disse…
Cheguei aqui pelo blog de Lita.
"Quarto de Despejo" foi um livro que me impressionou muito. Nunca o esqueci. Parabéns pelo blog!
anjobaldio disse…
O link da Galeno d'Avelírio está errado.

Postagens mais visitadas deste blog

Flica10 - Reconversas

  Após dois anos de espera, voltou a acontecer a maior festa literária do Recôncavo. A Feira Literária Internacional de Cachoeira - Flica, na sua 10ª edição, de 03 a 06 de Novembro de 2022. No segundo dia festa, aconteceu a Mesa Poesia erótica feminina do Recôncavo Universal, sob a curadoria do Coletivo Reconversas.  Tive a alegria de participar como moderadora dessa mesa da qual participaram as poetas Rita Queiroz e Iza Lobo  autoras, respectivamente, das obras Confissões de Afrodite e Suores Noturnos . As mesas do Coletivo Reconversas aconteceram na Igreja do Carmo, lugar espetacular que também foi palco para lançamentos de livros. Fotos: Flica oficial e Line Lobo

Acho que vou fazer um filme

[para ouvir ao som de Múm] Escrevo sob o signo da melancolia, uma saudade inexplicável de não sei o quê (desculpem o acento, força do hábito), uma sensação estranha de vazio, de... que foi que eu fiz? O que fazer? Cadê tudo? Chega! Esta será uma postagem longa, apenas os pacientes e os que amam verdadeiramente a poesia lerão até o fim e, possivelmente, comentarão. Abri a pasta rosa, peguei um dos seus escritos e li. Era uma carta falando do meu texto intitulado As Cartas. Já postei um fragmento aqui. Essa carta recupera pedaços da peça que escrevi, a qual trata do encontro de duas mulheres quase estranhas e muito diferentes. Já tentamos montar essa peça várias vezes mas nunca deu certo. Acho que vou fazer um filme. “... li a peça e várias vezes reli. A solidão de Zoé não seria a profunda consciência da solidão de nós mesmas, que escrevemos e que tornamos a poesia nossa amante, pois sentimos sem compreender a efemeridade de tudo o que nos cerca?” (...) “Conheço-a através dos seus escrit...

Ruínas de fé

"Arqueja triste nos braços frios da noite. Ainda quando os anjos e demônios a espiam por frestas ocultíssimas, ouço o farfalhar demente das tuas asas. Ergue-se o vôo sem razão." Rocque Moraes Artista visual e poeta bissexto, Rocque ama rock. Eu amo rock e Rocque, embora ele não mereça.