quarta-feira, 15 de junho de 2011

Revista Cult » O luto da arte

Revista Cult » O luto da arte

Tudo chega a um extremo para se renovar. Será esse o caso da arte?

terça-feira, 14 de junho de 2011

barcos e cães

barcos e cães by rainha morbida
barcos e cães, a photo by rainha morbida on Flickr.

barcos estacionados na baixa maré
sem marujos nem velas ao vento
mas concedem boa sombra
para os cães ao relento

segunda-feira, 13 de junho de 2011

estou farto de semideuses

Poema em linha reta
Fernando Pessoa(Álvaro de Campos)
[538]
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

sexta-feira, 3 de junho de 2011



Hoje, Bartira e Giuseppe estarão apresentando uma interessante experiência sonora na Casa da Cultura Galeno d'Avelírio, em Cruz das Almas - BA.

Trata-se de uma instalação sonora que busca destacar diferenças de percepção. 
Segundo os dois artistas "Nossa experiência cotidiana está composta de sons de diversos tipos, na maioria das vezes, estamos alheios a eles. Quando tirados de seu contexto original e reorganizados em um espaço e tempo eles podem tornar-se imediatamente ativos, cheios de significados e texturas que sempre possuíram, mas que foram diluídos pela riqueza de nossas experiências sensoriais." 
Sobre a experiência, comentam ainda que uma relatividade se abre para infinitas possibilidades, uma vez que nossa habilidade quase involuntária de escutar se transforma em um veículo para que nova informação seja processada, em uma relação de troca entre cérebro e realidade percebida. O cérebro constrói sua realidade através da importância que dá aos diferentes estímulos.
O trabalho aborda três sons em particular, gravados em diferentes locais de Cruz das Almas. Uma sirene, as cigarras que cantam na praça principal no final da tarde e rãs e sapos cantarolando numa lagoa. Esses sons estarão interagindo tentando envolver o ouvinte em uma invisível e intangível cortina de som.
Mas o ponto alto da instalação sonora é um elemento introduzido para simbolizar o papel ativo do ouvinte que são dispositivos de som, como painéis de madeira amplificados instalados no chão, que produzirão sons a partir da vibração do toque dos pés. A combinação desses elementos criará uma experiência sônica que nunca se repetirá cada vez que um ouvinte interaja com a instalação.
Local: Teatro do Porão – Casa da Cultura Galeno d’Avelírio. Rua XV de Novembro, 56 – Centro – Cruz das Almas – BA
Hoje, às 21h. Entrada franca.
A instalação fica aberta para visitação de 03 a 10 de junho, das 14 às 19h.