quarta-feira, 23 de novembro de 2011

a hera do tempo

somos a idade da pedra
a hera do tempo
cavalgando os ventos de Iansã
somos a busca e o procurado
o pesadelo de Lilith
dançando na fogueira do amor
a eternidade somos nós
pois o tempo não pesa
para os nossos pés
que não se cansam de caminhar
Graça de Sena
03.08.1989

Este poema, escrito num cartão vermelho de Josilton Tonn, foi criado a 11.000m de altitude para um sacerdote negro que descobriu comigo analogias entre Lilith e Iansã.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Soneto do gato morto

Um gato vivo é qualquer coisa linda 
Nada existe com mais serenidade
 
Mesmo parado ele caminha ainda
 
As selvas sinuosas da saudade
 

De ter sido feroz. À sua vinda
 
Altas correntes de eletricidade
 
Rompem do ar as lâminas em cinza
 
Numa silenciosa tempestade.
 

Por isso ele está sempre a rir de cada
 
Um de nós, e ao morrer perde o veludo
 
Fica torpe, ao avesso, opaco, torto
 

Acaba, é o antigato; porque nada
 
Nada parece mais com o fim de tudo
 
Que um gato morto.
 

Florença, Novembro de 1963
 
Vinicius de Morais, Livro de Sonetos







Visconde, saudade (16.11.2011)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Arte e vida severina

A tarde noite de ontem vibrou numa atmosfera quase mágica.
A poesia invadiu a Casa da Cultura permeada de lembranças, histórias, memórias e um certo ar de melancolia. Meio que pra combinar com a noite chuvosa. 
O velho amigo Cyro Mascarenhas Rodrigues contribui para o ar de sarau com poesias e mais poesias: sonetos, endrisos e poetrix. Conceitos estes que só ele pra explicar.
Frequentadores assíduos do Papo no Pátio como Geysa Coelho, Fabrício Salomão e Rogério Lima mais outros que apareceram pela primeira vez trouxeram o auxílio luxuoso da música. 
De tudo um pouco se viu desfilar: poemas falados, poemas cantados, poemas visuais.
A vida foi o grande tema.
Saí radiante da grande noite de quarta.


Hoje, para minha tristeza, a vida imita a arte e serve de bandeja a desgraça cotidiana.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Uma pessoa de Pessoa

Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade.
Alberto Caeiro



Mais um post da série Quartas Literárias - Café com Poesia.
No dia 01 de setembro de 2007 Hermes Peixoto interpretou poemas de Fernando Pessoa no Teatro do Porão - Casa da Cultura Galeno d'Avelírio.