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para romper com uma vidinha mais ou menos

parada na ponta do passeio de uma rua qualquer, numa cidadezinha qualquer, de qualquer lugar do interior. o olhar flutuando pelos transeuntes num arremedo de vida carregando sacolas, bolsas, crianças... carros, carroças, bicicletas... montes de terra, demolição... calor escaldante, poeira.
passos arrastados conduzem para não se sabe onde, uma casa distante, um lugar onde descansar o corpo mortiço, desidratado, empoeirado, quase faminto.
um pouco de dinheiro dobrado enfiado no bolso mais recôndido próximo ao corpo, dinheiro úmido do suor do dia calorento. dinheiro pouco para as muitas contas a pagar.
amanhã começar tudo de novo? correr...? cumprir horário...? bater ponto...? engolir um pastel com refresco, café...? e pensar no amanhã, no depois de amanhã...
o corpo flácido, o silêncio das conversas bobas, os vizinhos...
a corda pendente...
o silêncio...

...
m e i a - n o i t e
a voz rouca de lou reed ecoa no pátio


Just a perfect day
you made me forget myself
I thought I was
someone else, someone good

http://www.loureed.com/00/index.html

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Pise devagar, você está pisando nos meus sonhos.

Ao ouvir esses versos, lidos por um personagem de um filme já começado, apurei o olhar e ouvidos para a tv. O personagem segurava um livro cuja capa estampava o nome Yeats em letras bem grandes.
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OS TECIDOS DO CÉU Se eu tivesse os tecidos bordados dos céus,
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da noite, luz, e da meia-luz,
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são eles que estendo sob teus pés.
Pise devagar, você está pisando nos meus sonhos. (William Butler Yeats) (trad. inédita de Bruno D’Abruzzo) AEDH WISHES FOR THE CLOTHS OF HEAVEN Had I the heavens’ embroidered cloths,
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