segunda-feira, 22 de agosto de 2011

poema de rocque moraes

GRAÇA DE SENA –
“ que desvirgina a cidade
no grande barco vermelho”

arqueja triste nos braços frios da noite
ainda quando os anjos e os demônios
a espiem por frestas ocultíssimas
ouço o farfalhar das tuas
dementes − ergue o vôo s/ razão

fuga − quanto tempo resta?
logo as paredes cairão
− sonhos soterrados
eis o caminho: ruína e perversão
colapso
foge – com asas de orvalho sombrio
porque ainda a tua boca
amaria um beijo distante
deter-se no jardim dos suicidas
− panteão dos grandes homens
logo a família despertará,
sólida e fria como aço
delicada morbidez
ela emoldura nosso caos
nos assassina com amor e tédio
café da manhã repleto de solidão
seleta família
piedade e compaixão – crueldade por trás de tudo ...

Rocque Moraes

2 comentários:

Anônimo disse...

consegui me transportar pra essa realidade movel e visual q eh esse poema!

barti

graça sena disse...

Plasticidade em todos os sentidos. Rocque é massa!