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demônio de moon


por estranha casualidade ou maquinismo qualquer juntamos nossas marcas no sangue feito indecência e vítimas da insânia Todas as coisas são vãs à iminência de abortar um amor que ultrapassa os limites da normalidade A querência ínfima quando perdido se está e nem um passo a mais nos afasta do abismo Que posso fazer com o meu corpo ávido e a alma em delírio O tempo pastor inocente descarrila nossos anseios e “os meus olhos de cão” empalidecem na tirania das esperas Os barulhos e os vis transeuntes nos desconhecem Somos vacas percorrendo o corredor do abate sem derramar uma lágrima sequer por desconhecer o irreversível da caminhada O pasto é verde e nossa língua não alcança a cristalinidade daquela água o rebanho passa por nós e continuamos na contramão carregando “o abismo na alma” somos o próprio abisso no nosso passo avesso juntando as cartas para tornar espalha-las ao vento enlouquecendo a multidão de dentro e de fora dos edifícios Aquelas mulheres continuam junto às mesas engordando os flácidos ventres brancos e inchando as coxas devassas para engolir teu falo triste e devorar teus olhos como ameixas sem sementes Te fazem bobo da corte mas desconhecem que te divertes com isso com tuas barbas de camaleão e elas camaleoas te roendo com dentes podres de comer outras carnes e roer outras almas Tudo isto é uma festa demente bacanal de ilusões e a hipocrisia rainha sentada em seu trono enfeitado de ouro e merda Elas se enfeitam e se lavam com perfume para se encontrar nos cantos fétidos com o demônio de moon e se embebedam de escuro e te deixam vazio Estaciono no centro da encruzilhada e deixo que a normalidade desfile diante dos meus olhos cansados de ver

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Pise devagar, você está pisando nos meus sonhos.

Ao ouvir esses versos, lidos por um personagem de um filme já começado, apurei o olhar e ouvidos para a tv. O personagem segurava um livro cuja capa estampava o nome Yeats em letras bem grandes.
Pensei com meus botões: esse filme deve ser bom!
Não era tão bom assim, apesar das referências a vários clássicos da literatura. Perdeu-se nos clichês e nas cenas de ação exageradas. Mas valeu a pena por me levar a reler o poeta!


OS TECIDOS DO CÉU Se eu tivesse os tecidos bordados dos céus,
ornados de ouro e prata em luz,
panos azuis foscos breus
da noite, luz, e da meia-luz,
estenderia os tecidos sob teus pés.
Mas, pobre, tenho apenas sonhos;
são eles que estendo sob teus pés.
Pise devagar, você está pisando nos meus sonhos. (William Butler Yeats) (trad. inédita de Bruno D’Abruzzo) AEDH WISHES FOR THE CLOTHS OF HEAVEN Had I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half light,
I would spread the cloths under …