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um dia qualquer


a minha sentença
é ser proscrita entre castas
e direitas criaturas
nenhum corte atravessa a minha face
nenhuma lama em seus sapatos
nenhum sangue em minhas retinas
descrever ciúmes
cenas de possessão
jogos cabalísticos
os símbolos têm sua hora marcada
e nosso encontro está assinalado
está gravado em nossa cara
com a brasa do ferro ardente
afinal a maldição abocanhou-nos
desatolando-nos a decadência
desentranhando o veneno das nossas veias
o eco da nossa inquietude
alcançará um dia o senso comum?
abraço-me a joquim louco
e escondo-me em seu quarto de vidro
protegendo-me do temporal de mediocridades
o frio dos olhares congela-me os ossos
mas sobre eles verterei todo o meu ódio

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Pise devagar, você está pisando nos meus sonhos.

Ao ouvir esses versos, lidos por um personagem de um filme já começado, apurei o olhar e ouvidos para a tv. O personagem segurava um livro cuja capa estampava o nome Yeats em letras bem grandes.
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Não era tão bom assim, apesar das referências a vários clássicos da literatura. Perdeu-se nos clichês e nas cenas de ação exageradas. Mas valeu a pena por me levar a reler o poeta!


OS TECIDOS DO CÉU Se eu tivesse os tecidos bordados dos céus,
ornados de ouro e prata em luz,
panos azuis foscos breus
da noite, luz, e da meia-luz,
estenderia os tecidos sob teus pés.
Mas, pobre, tenho apenas sonhos;
são eles que estendo sob teus pés.
Pise devagar, você está pisando nos meus sonhos. (William Butler Yeats) (trad. inédita de Bruno D’Abruzzo) AEDH WISHES FOR THE CLOTHS OF HEAVEN Had I the heavens’ embroidered cloths,
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I would spread the cloths under …