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3, 2, 1...

Faço a contagem regressiva do meu tempo, mas não sei o que esperar. Desacompanho o pensar quântico filosófico do ser. Só sei da casa com jardim e gramado pontilhado de gatos de todas as cores. Sei do por do sol em cinemascope que aprecio da sacada do meu quarto. Sei do cachorro enclausurado entre telas. Sei de rugas, peles que se dobram onde antes não estavam. Sei do piscar da luz da TV no quarto da minha mãe que dorme entre os piscares. Sei das árvores que se despendem sob a esteira do trator. Sei das casas que pipocam onde antes pipocavam verde, pássaros e vidas que não importam. Sei do céu cortado pelo rastro branco do 747 ou de outro qualquer. Sei que existe gente dentro dele! Sei que existimos eu, minha mãe dormindo frente à TV e as pessoas dentro do 747. Existirmos, a que será que se destina?
g.sena Cruz das Almas, 20/02/2019  (um ano medonho)
Foto: g.sena (Nápoles, IT - Agosto/2019)
"Alguém disse que os gatos são os animais mais distantes do modelo humano. Isso depende da linhagem de humanos a que você se refere e, é claro, a que gatos." William Burroughs, O Gato por Dentro, p. 59Há pouco Fassbinder, o gato de 17 anos a quem pertencíamos, deixou o plano terrestre. Sinto uma dor consolada pois ele estava sofrendo há cerca de três anos. Envelhecer foi um fardo pra ele. A demência senil foi o que me amargurou! Quando um gato morre, mesmo numa casa que abriga dezenas de outros, algo fica ôco! A alma fica a pé!


Pise devagar, você está pisando nos meus sonhos.

Ao ouvir esses versos, lidos por um personagem de um filme já começado, apurei o olhar e ouvidos para a tv. O personagem segurava um livro cuja capa estampava o nome Yeats em letras bem grandes.
Pensei com meus botões: esse filme deve ser bom!
Não era tão bom assim, apesar das referências a vários clássicos da literatura. Perdeu-se nos clichês e nas cenas de ação exageradas. Mas valeu a pena por me levar a reler o poeta!


OS TECIDOS DO CÉU Se eu tivesse os tecidos bordados dos céus,
ornados de ouro e prata em luz,
panos azuis foscos breus
da noite, luz, e da meia-luz,
estenderia os tecidos sob teus pés.
Mas, pobre, tenho apenas sonhos;
são eles que estendo sob teus pés.
Pise devagar, você está pisando nos meus sonhos. (William Butler Yeats) (trad. inédita de Bruno D’Abruzzo) AEDH WISHES FOR THE CLOTHS OF HEAVEN Had I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half light,
I would spread the cloths under …
O jornal Reflexos de Universos em sua edição nº83 publicou uma seleção de registros fotográficos que realizei nas cidades de Recife, Londres e Marseille. As fotos de grafites revelam a poesia da arte exposta nas ruas, libertadas do confinamento das galeria e ofertando-se ao olhar de todos numa clara demonstração de que a arte não deve ser para poucos.O belo texto de Hermes Peixoto conta um pouco da história do grafite e da arte que sai das galerias para as ruas.

demônio de moon

por estranha casualidade ou maquinismo qualquer juntamos nossas marcas no sangue feito indecência e vítimas da insânia Todas as coisas são vãs à iminência de abortar um amor que ultrapassa os limites da normalidade A querência ínfima quando perdido se está e nem um passo a mais nos afasta do abismo Que posso fazer com o meu corpo ávido e a alma em delírio O tempo pastor inocente descarrila nossos anseios e “os meus olhos de cão” empalidecem na tirania das esperas Os barulhos e os vis transeuntes nos desconhecem Somos vacas percorrendo o corredor do abate sem derramar uma lágrima sequer por desconhecer o irreversível da caminhada O pasto é verde e nossa língua não alcança a cristalinidade daquela água o rebanho passa por nós e continuamos na contramão carregando “o abismo na alma” somos o próprio abisso no nosso passo avesso juntando as cartas para tornar espalha-las ao vento enlouquecendo a multidão de dentro e de fora dos edifícios Aquelas mulheres continuam junto às mesas engordando…

ainda poesia

INFLEXÃO PERANTE ALLEN GINSBERG E HENRY THOREAU
o sagrado coração reumático de elenor um olhar estranho – olhar não cego de poeta com olhos de anjo anjos maometanos anjos loiros anjos de rilke – terríveis a bíblia sagrada com seus uivos de anjos terríveis não causa assombro ao caminhante desobediente trilhando as margens do rio à margem dos anjos 
Graça de Sena

março

amanheci versos após noite espessa  sonhei estrelas, cometas e duro carvão  só não escrevi na pedra nenhum poema de dor ou talvez covardia  ancoro sonhos no presente fluido  andarilha erma sigo  pés experimentando o lodo  fímbria  pedregulho  mato  chão  chã 

graça sena  março, 08 2014
A programação dos aniversários da Fundação Cultural Galeno d'Avelírio e da Casa da Cultura deste ano está focada em artistas locais. Exposição dos novos trabalhos de Dina Garcia na mostra intitulada blocos estilizados - construindo com arte; show com as bandas Mang Mama (do pop ao hard rock) e Alfaya (afro pop).
A abertura das festividades será com o lançamento do selo comemorativo dos 27 anos da Fundação Cultural Galeno d'Avelírio.
Vamos marcar presença e celebrar as artes e a cultura locais!

bday

6.2 turbinado
Nenhuma ruga a mais Tampouco mais sabedoria O dia amanheceu como todos Exceto pelas nuvens cinza E a persistente garoa bem semelhante a um dia igual Num longínquo abril Numa sertaneja cidade Num bairro operário Onde era esperado jorge romeu.
Contrariando as expectativas, Nasceu eu!
25 de abril de 2013

A rainha mórbida é real

A verdadeira rainha mórbida

Já falei antes sobre ela aqui nesse blog, se não me engano, com o mesmo título. Não importa, pra quem não se lembra quero repetir a dose. Diamanda Galás, filha de pais gregos ortodoxos, criada em San Diego, Califórnia onde, ainda criança estudou jazz e música clássica. Artista performática e controversa esteve no Brasil em 1998. Ativista de grupos de combate à Aids, tatuou na mão esquerda os dizeres "We Are All HIV+" (Somos Todos HIV+) desde que seu irmão morreu, vítima da doença, em 1986.
Durante uma manifestação do ACT UP (grupo gay de militância) na St. Patrick's Cathedral, em Nova York, em 1989, Galás foi presa por "distúrbio da ordem pública" e em 1990, após uma apresentação no "Festival delle Colline", na Toscana, o governo italiano a denunciou por "blasfêmia contra a Igreja Católica Romana". "Satã mora mesmo nos EUA", ironizou a cantora, "agora mais do que nunca".
Para botar mais lenha na fog…

um dia qualquer

a minha sentença é ser proscrita entre castas e direitas criaturas nenhum corte atravessa a minha face nenhuma lama em seus sapatos nenhum sangue em minhas retinas descrever ciúmes cenas de possessão jogos cabalísticos os símbolos têm sua hora marcada e nosso encontro está assinalado está gravado em nossa cara com a brasa do ferro ardente afinal a maldição abocanhou-nos desatolando-nos a decadência desentranhando o veneno das nossas veias o eco da nossa inquietude alcançará um dia o senso comum? abraço-me a joquim louco e escondo-me em seu quarto de vidro protegendo-me do temporal de mediocridades o frio dos olhares congela-me os ossos mas sobre eles verterei todo o meu ódio