sábado, 4 de dezembro de 2010

Flor


Flor
Upload feito originalmente por rainha morbida
nas vezes em que me assedia
uma fome canibal
rio-te o brilho dos meus dentes
como um poema feito a quatro mãos
querendo ser
um pequeno poema infinito
enlouqueço-te-me
se aquele amor nunca fora angélico
minhas cruzes
numa só cruz das almas penadas
: metafísica-metafísica
metafique-se
neste leito de ausências esperadas

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Elegância cubana

Esse luxo eu não poderia deixar de compartilhar.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Os cantares de Jônatas Conceição

AS SAUBARAS INVISÍVEIS

A memória é redundante: repete os
símbolos para que a cidade comece
a existir.

Ítalo Calvino

Chega-se a Saubara pelo caminho do mar.

Às velas, barcas velhas velejam rumo à baía.

Viagem de gentes, trapos, mercadorias,

Odores repelentes que recendem tumbeiros

Travessia de longínquas noites

(Aquela viagem era uma eternidade!)

que ao vento cabia a tarefa de um porto feliz.

Chega-se a Saubara por via de muitos rios

Do rio para o mangue, do mangue-rio para o mar.

Caminhos do leva-e-traz mercantil

Ao porto de amaros negócios

Percurso de antigos navegantes

Fundadores do eterno dar-se saubarense

Desbravadores de restos da flora e fauna do lugar.

Chega-se, finalmente, a Saubara pelo primado da fé.

Seus marujos e rezadeiras procuram, há muito,

o caminho da salvação.

Seus filhos e netos, há pouco, descobriram outros caminhos...

Procuram, pela novidade alheia, desesperadamente,

outra cidade inventar.

Os perseguidores da fé a tudo ver oram choram

(A São Domingos que é de Gusmão que nos vele)

as chamas das velas revelam.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O tempo

Tenho estado ausente nos últimos tempos. Culpa do tempo.
Isto me remete ao poema da minha amiga distante Nena. Não a vejo há tanto tempo.
Como há muito tempo não vejo Diogo, um amigo de muito tempo atrás que me mandou um recado e um número de telefone. Liguei, mas não o procurei. Sua voz estava tão fraquinha. Lembro dele quase todos os dias, mas tem faltado tempo para ir à cidade vizinha visitá-lo.Também gostaria de visitar minha amiga Doris, até prometi mas...


Refletindo sobre o Tempo

O tempo,
Todo o tempo nos persegue:
É o momento do atraso,
Da hora passada,
Da hora futura
Dos minutos contados

Do dia que não chega,
Da noite que não passa,
É o tempo de chuvas,
É o tempo de graças

E é o tempo de amar,
É a hora de procriar
É o minuto adiantado,
É o dia atrasado,

No tempo você está sempre sozinho.
O meu tempo é diferente do seu tempo,
Que é diferente do dele e também diferente do dela
Sempre é ele a nos espreitar e nos dizer o que somos e como estamos

Estou atrasada,
Estou adiantada,
Estou na frente do jogo de game,
Estou atrás de uma saída pra esta enrascada.

O tempo passa e o faz sem pedir passagem,
Não ouvimos nem um “com licença”,
Nem um deixe-me atravessar esta estrada.
Ele não chega
Ele te perpassa
Como uma flecha
Flamejante e encarnada.

Corre quando preciso de calma,
E pára quando preciso de pressa
O tempo do sono é do sonho ou do pesadelo?
Seja o que for... É culpa do tempo.

Nena
maio/2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

CASA DA CULTURA GALENO D'AVELÍRIO: Aniversário da Casa da Cultura

CASA DA CULTURA GALENO D'AVELÍRIO: Aniversário da Casa da Cultura:
"Menina, minha menina,
carocinho de araçá,
cante
estude
reze
case
faça esporte e até discurso,
faça tudo o que quiser
Menina!
não esqueça que é mulher."


Jacinta Passos
In: Canção da Partida (1942-1944)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A poesia de Jacinta Passos

Jacinta Passos: coração militante, livro que será lançado no dia 27 de julho na Casa da Cultura Galeno d'Avelírio, em Cruz das Almas e organizado pela historiadora Janaina Amado.
Eu sou planta sem raiz
que o vento arrancou do chão,
já não quero o que já quis,
livre, livre o coração,
vou partir para outras terras,
nada mais eu quero ter,
só o gosto de viver.

Nada eu tenho neste mundo,
sozinha!
Eu só tenho a vida minha.

Jacinta Passos
Trecho do poema Canção da Liberdade
In: Canção da Partida, 1942-1944

terça-feira, 13 de julho de 2010

rock poesia

Recolhi-me ao silêncio por esses dias. Deliberadamente. Não queria falar de perdas e despedidas, nem da poesia calada que não mais solicitará: "Diga uma coisa bonita!"
O que o poeta esperava ouvir como resposta a essa pergunta?
A beleza tem tantas faces. Beleza triste, beleza calma, beleza estrepitante.
A beleza vigorosa da poesia que clama, que denuncia.
A forte e bela poesia de Patti Smith nesse dia mundial do rock.



There's no one
in the village
not a human
nor a stone
there's no one
in the village
children are gone
and a mother rocks
herself to sleep
let it come down
let her weep

the dead lay in strange shapes

Qana, de Patti Smith

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Bye Dennis

Um dos meus atores favoritos, Dennis Hopper, saiu de cena mas deixou registradas cenas memoráveis.
Em sua homenagem, uma cena do filme Blue Velvet com a magnífica Isabela Rosselini.


Bye, Dennis

terça-feira, 25 de maio de 2010

Grande Lou



Que auxílio luxuoso!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

pepe e a princesa

 jacinta

(algo se move dentro do tédio
rastejante feito lesma epiléptica)
poetas aos montes com voz de cal
fingem não fazer o jogo
sabendo-se o próprio jogo
exortam os lindos burgueses


(algo se move dentro do tédio
feito cataporas desenhando a pele)
adoravelmente lúcida à flor da loucura
enxota-os Jacinta
açoitando com a indiferença e a náusea
as suas caras de porcelana

In: Reflexos de Universos, 73

domingo, 9 de maio de 2010

pra não dizer adeus

você não sabe dançar
mas nessa noite nós dançamos
numa saudade antecipada
tentávamos capturar a essência fugidia
que não estava mais ali
eu partira antes de mim
e você nem notou
seu desespero tardio, tresloucada agonia
já não adiantavam, eu não estava mais ali
o corpo entre seus braços não era eu
nem o olhar penetrando o fundo dos seus olhos
era meu
enquanto dançávamos
eu já não estava ali

... para não dizer adeus a um querido amigo que se foi, sem se despedir, mas deixou os sinais da sua convivência e uma saudade sem tamanho.

terça-feira, 4 de maio de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Lua


Moon 3
Upload feito originalmente por paul great yarmouth
Lua negra diabólica
na minha janela
mostra tua cara insólita

(trecho da letra de uma canção de Nelson Magalhães Filho)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

sextas-feiras santas e violeiras


Nas sextas-feiras santas ela cortava paletas a partir de chifres de boi, e sempre antes do nascer do sol.
Numa simulada entrevista com Helena Meirelles, Uilcon Pereira a transporta para o mundo de Àssombradado. Biutificada, a violeira conta que seu prazer era tocar nas zonas, nos bordéis do poeirão de estrada.
Nivelei meu destino com cavalgadas e homens de gatilho fácil, tocando por alguns tragos de cachaça. Aos trinta anos, resolvi, sozinha, bagunçar o coreto, mascar fumo, viver no cio e pintar o sarambé.
No delta do Àssombradado Velho, todo mundo dançava armado. Numa pândega, um peão enlouquecido veio perto e queria enforcar a vileira-chefe. Até hoje, quando ouço o bater dos guizos, da tropa, do berrante, dos vaqueiros estalando a relha, penso “Ai meu Deus, se eu fosse um homem tava lá no meio.” Minha mãe fala “Helena Biutrice de Tróia Meirelles, és meio homem meio muié”. Eu respondo “Eu não sei nunca o que sou, sei que sou fanática por isso de tocar violão e viver junto com a peonada solta por aí”.

Velha violeira, hoje era dia de cortar paleta de chifre de boi.
Mas a essa hora, ela deve estar em Àssombradado dando uma outra entrevista ao velho Uilcon Biute Pereira.

segunda-feira, 8 de março de 2010

pintei de lilás

Com a poesia de mulheres que fizeram o diferencial no seu tempo, eu pinto de lilás este dia 8 de Março.
"Abro os olhos, não vi nada
Fecho os olhos, já vi tudo.
...
Abro os olhos novamenteE vejo a grande montanha,
Fecho os olhos e comento:
Aquela pedra dormindo, parada dentro do tempo,
Recebendo sol e chuva, desmanchando-se ao vento?
Eu estou lá,
Ela sou eu."

Adalgisa Nery

"olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas"
Ana C.

Essas, além de tantas Anas, Cristinas, Clarices, Cecílias, Hildas, Jacintas... e todo o alfabeto poético falem ao mundo que a poesia vive.
Vida longa para a poesia, vida longa para as poetas. 

terça-feira, 2 de março de 2010

white chalk

Melancolia, sentimento, beleza profunda.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Vida Líquida

Slide 1
É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d'água, bebida. A Vida é líquida.
(Alcoólicas - I)


Hilda Hilst 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

cores



Upload feito originalmente por Rick Van Pelt

com quantas cores se faz um ano novo?